Um professor é um profissional privilegiado porque aprendeu a exercer, também, com todos aqueles que um dia o ensinaram. Por isso, quando se é professor não há como não analisar todos os que nos esinaram e que deixaram algum tipo de marca em nós, quer ela seja positiva, quer seja negativa. Eu, por exemplo, não posso deixar de me lembrar da saudosa D. Mercedes, a minha professora primária (que hoje seria do primeiro ciclo) e do impacto muito positivo que ela teve nos meus primeiros anos de escola. Foi ela que me transmitiu o gosto pela escola e que soube desenvolver o meu gosto pelo conhecimento. Quando se passa de uma professora para muitos, alguns caem no esquecimento, por isso não me lembro de todos os professores que tive ao longo dos 8 anos de escola até chegar à Faculdade, mas lembro-me dos que me ensinaram o que eu queria ser e dos que me ensinaram aquilo que eu não gostaria de ser.
No primeiro grupo está a professora Luísa que me ensinou que estabelecer laços de afeto com os alunos pode ser um caminho para uma aprendizagem positiva; o professor Larião que me mostrou que a exigência e o rigor podem ser misturados com boa disposição, mas cujos comentários nos testes me irritavam quando eram negativos; a professora Virgínia, que me mostrou a quantidade de conhecimento que está armazenada na cabeça de um professor; a professora Graça Luís que era uma delícia ficar a ouvir; o professor Lícinio que me transmitiu uma enorme auto-confiança ("Se a Teresa diz que é em arco, é porque é em arco."); a professora Manuela, que me mostrou o tipo de controlo que eu gostava de exercer sobre uma turma.
No segundo grupo, estão exemplos que não vale a pena repetir, mas devo dizer que o segundo grupo é bem mais pequeno que o primeiro.
No que diz respeito aos professores universitários, devo dizer que nenhum me ficou especialmente na memória, apenas os seus ensinamentos e estou na dúvida: isso quererá dizer que eram tão bons que a sua pessoa não interessava, ou tão maus que tudo o que aprendi, aprendi sozinha?
E eu? Que serei para aqueles que todos os dias me olham por entre as intermináveis conversas que vão tendo? O raio dos miúdos não há meio de se calar!
Sem comentários:
Enviar um comentário