quinta-feira, 14 de junho de 2012

Como é que é possível?!

É com grande alegria que leio no JL sobre a abertura da Fundação José Saramago em Lisboa. E digo alegria porque não posso dizer interesse cultural sereno e elevado. É mesmo alegria e o coração palpitante. Saramago fala-me ao ouvido desde muito tenra idade. Quando conta histórias, às vezes sinto que me entende. Quando oiço dizer que não usa pontuação, sinto que me ofendem a família. Para mim, Saramago trouxe a inovação que faz sentido. Por isso, por tudo isso, desejo muitos anos felizes à Fundação e desejo que a luz de Lisboa a ilumine durante muito tempo.
Antecipo a minha entrada no espaço com algum entusiasmo, porque tenho saudades dele sem nunca o ter conhecido. Já antes, durante as obras da Fundação, adorava (como se adora o Menino) o banco e a oliveira.
Por isso pergunto: como é que é possível que se continue a dizer "É como o Saramago, não usa pontuação." Só peço: não falem do que não sabem. Esta frase irrita-me. Revela falta de respeito pela arte, pela Literatura, pela sociedade e pelo mundo em geral. Saramago ganhou um prémio Nobel, caramba! E, no seu país, é visto como um exemplo de má redação pelos mais atrapalhados, que se têm, muito provavelmente, em alta conta. Por favor!
Goste-se ou não se goste, mas faça-se isso de forma fundamentada, com conhecimento da sua obra, das suas personagens, das suas histórias, dos seus pensamentos.
Eu adoro Saramago. E vou de certeza adorar o seu espaço.
Para além disso, gostei também de saber que Joana Vasconcelos expõe em Versailles. O local condiz com a artista.

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