Caso não se lembrem, ontem foi domingo e esse é um dia que, de vez em quando, se aproveita para o enriquecimento cultural. O meu Domingo foi aproveitado para homenagear, com a minha presença, a exposição da colecção Joe Berardo no CCB. Esta começa de forma morna pelo "surrealismo e mais à frente" e eu até gosto desse tipo de arte e até encontrei algumas obras bastante belas. Depois segue-se para a Pop Art e aí começam a surgir as "instalações". Adoro este novo conceito de arte e é ele que motiva o meu texto de hoje. Basicamente, e vendo bem as coisas, todos nós temos um instalador dentro de nós. Porque o conceito de instalação resume-se a olhar com uma visão artística tudo o que nos rodeia. Se não, vejamos:
dois toros de madeira no chão, uma vertical, outro na horizontal. O que é isto? Alguém que se esqueceu da madeira ali. Não! É uma instalação.
Uma televisão com um vídeo de uma pessoa não identificada que de tempos a tempos solta uma quantidade impressionante de água para uma panela. O que é isto? Loucura total! Não, uma instalação.
Uma tela completamente em branco. O que é? Pois, eu também não sei, mas estava lá exposto.
E a cereja em cima do bolo: o exemplar do artista Christo (aquele que embrulha coisas) que lá estava exposto e que era uma almofada embrulhada em tule cor de vinho. E o mais elaborado de tudo é que ele demorou três (3) anos a fazer aquilo. E ainda fomos (eu e a minha amiga e assidua leitora AT) interpeladas pela "guia" que nos tentou explicar quem era Chisto e o porquê daquilo estar ali.
Ou sou eu que sou muito ignorante os as instalações são arte para rir.
Quando saí de lá comecei a olhar para as coisas de forma diferente e chegámos ao ridículo de quando encontrámos as portas dos WC, ficarmos na dúvida se aquilo era mesmo a sério ou se eram também instalações!!! Aí comecei eu própria a instalar. E descobri que todos os objectos têm potencial. Por isso deixo aqui alguns exemplos. Para isso têm de imaginar os objectos e imaginar uma placa em acrílico com o meu nome e o nome da peça ao lado.
Paragem de autocarro: Esperando pelo destino;
Caixote do lixo: Sociedade de consumo;
Ecoponto: Sociedade de consumo organizada;
Banco de jardim: repouso ao ar livre;
Cama: repouso indoors (se acrescentarmos uns títulos em inglês tornamos a nossa arte internacional.)
Estendal de roupa: Quotidiano
loiça suja no lava-louça: Quotidiano 2
A porta de nossa casa: home sweet home
Não perceberam?! São INSTALAÇÕES!!!
Os artistas são uns incompreendidos!!!
1 comentário:
Temporariamente resgatado das profundezas pelas palavras de uma amiga, resolvi dar-lhe o benefício da dúvida e fingir que a vida é mesmo assim, acidentada por natureza. Mesmo quando somos nós a colocar rochedos no nosso próprio caminho. Tentativa e erro. É a ordem natural das coisas, diz ela.
A vida é simples, pois claro, tão simples quanto uma equação matemática que, demonstrada num volume de 400 páginas, se resume à mais fundamental lei da física. Até prova em contrário.
Mas porque a matemática é complicada e eu tenho revelado pouco jeito para a álgebra da vida, resolvi recorrer à cábula e revisitar um sítio onde as 400 páginas desaparecem como por magia na imensidão de botões de flores.
Aqui a vida é simples. É sempre Primavera, e mesmo com alguns dias cinzentos, o calendário marca sempre um dia a menos a caminho do Verão. A casa, já o sabia, situa-se numa encosta ensolarada, que permite vislumbrar para além do relevo mais imediato. Por isso gosto de vir aqui.
Enviar um comentário