Este texto é mais um conjunto de perguntas e dúvidas do que propriamente uma afirmação de qualquer coisa.
O que é a ética profissional de um professor?
Até que ponto podemos/devemos interferir nas vidas pessoais dos alunos? Porque eles também as têm. É certo que devemos estar atentos aos sinais de que algo pode não estar a correr muito bem.
Até que ponto devemos interferir no trabalho de um colega?
Até que ponto devemos expor as fraquezas de um aluno?
Só há uma coisa que sei. Não devemos nunca permitir que os nossos problemas pessoais e interrelacionais sejam objecto de comentário dos alunos.
Eles são o nosso objecto de trabalho, mas são também pessoas a quem nos afeiçoamos. Também acho que não devemos ser amigalhaços dos alunos, mas sim adultos de referência com quem se constrói uma relação de saudável convivência e toneladas de respeito. Exige-se não só que eles nos respeitem a nós, mas que nós também tenhamos respeito pela sua existência enquanto seres humanos imperfeitos. Por isso também, é que não há nada de rotineiro nesta profissão. Cada ano, com cada grupo de alunos experienciamos coisas novas e aprendemos dados novos.
2 comentários:
"O que é a ética profissional de um professor?" Então e o que é um professor? Será que ter uma turma à frente é sinónimo de ser professor? E será que estes agentes da educação conhecem o conceito de ética? E aqueles que estão à frente dos estabelecimentos de ensino? Porventura terão as suas prioridades bem definidas quando contratam um professor? Já bem basta que a nível das escolas oficiais tenhamos que conviver com a incompetência e falta de profissionalismo dos outros. A lista de graduação de professores não se compadece com pormenores destes, o que conta são os números. Ao menos os particulares têm autonomia para criar um corpo docente de qualidade e têm a obrigação de eliminar quem não corresponda ao que é esperado. Mas para isso era preciso que estes tivessem preparação pedagógica e soubessem, eles próprios, o que é a ética. Eu admito que, apesar de ser licenciada, não teria capacidade para gerir uma oficina de marcenaria, pois se um candidato soubesse debitar nomes de madeiras e de ferramentas, para mim já servia. Mais vale sê-lo que parecê-lo!
Não podia estar mais de acordo, mas também, tenho algumas dúvidas e perguntas para aqueles que são a nossa referência, o nosso ponto fulcral na formação, quer académica quer mesmo pessoal. Mas será que quando vemos um colega, um amigo, um professor com o qual temos empatia, e se trocam opiniões da nossa vida mundana, podemos/devemos ou não dar o nosso contributo, por mais simples que seja, por vezes basta a nossa atenção, o apoio, a força para marcar toda a diferença, por vezes só o facto de ouvirmos a pessoa desabafar, ou sermos nós a extravasar o que nos vai na alma é o suficiente para nos sentirmos melhor.
È por isto que somos (ou não) humanos, é este sentimento, a inter-ajuda, a compaixão que nos dá o mote de viver. È bem verdade que não devemos ser o porreiraço que diz que sim a tudo, só para bajular, a nossa opinião deve ser sincera, e deve ser este o mote pelo qual nos devemos orientar (eu tento), pois é muitas vezes pela nossa opinião, pela nossa atitude que se traça um rumo que poderá mudar por completo a nossa maneira de ser ou estar, ou mesmo revirar a nossa vida. Assim pergunto, devemos reger-nos pela ética moral, do que parece bem ou mal, daquilo que os outros pensam ou digam, ou devemos simplesmente deixar fluir o sentimento do nosso coração, da nossa intuição e deixarmo-nos contagiar pela empatia desta ou daquela pessoa?
Penso que é de todo saudável e enriquecedora toda a relação ou interacção aluno/aluno; aluno/professor ou vice-versa, não é só o conhecimento académico que é importante, por vezes a experiência da vida, aquela que não vem nos livros, nem nos manuais é aquela que mais falta nos faz em certas situações, e só através daqueles que a experimentaram nos pode chegar, para a apreendermos ou pelo menos ter em memória, já tinha ouvido falar…
Bom, e mais um ano lectivo está a acabar, para uns é a rotina, para outros, como é o meu caso é o culminar de um ano bem passado, na companhia dos colegas, dos professores e das pessoas que convivíamos diariamente e essa ruptura que me assusta e já me causa uma certa nostalgia e saudade. Mas é para isso que serve a memoria e também o coração, para nos fazer sentir e emocionar (como é o caso) ao relembrar esses momentos, essas vivências que eu desejaria que ainda pudéssemos vir a sentir novamente. É o desejo do eterno retorno. (nem que fosse uma visita pela cidade, como se de um casamento se tratasse, com buzinas e tudo, para irmos à “Barraca”).
Assim, deixo o meu contributo e a mais sincera homenagem a todos.
Um bem-haja.
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