sábado, 12 de maio de 2007

Estudar Línguas

Aqui há dias no Público veio uma notícia que anunciava o fim dos cursos de línguas e literaturas. Isto porque o que agora se chama o 4º agrupamento foi dividido, de acordo com a última alteração dos currículos do ensino secundário, em ciências sociais e línguas e literaturas. Quanto a esta última sub-divisão, existem distritos onde esta opção está disponível em apenas uma escola. Como é feita a distribuição das opções não é totalmente claro para mim. Acho que é determinada pelo Ministério. Mas sei que isto cria um problema. Podemos todos pensar que as línguas são um bem acessório e que uma pessoa que tenha estudado Línguas e Literaturas na Faculdade poucas mais opções tem que o ensino ou a tradução. Pois. Está bem. Deve ser mesmo assim. Mas o facto é que as directivas comunitárias dizem que todos os cidadãos comunitários devem dominar duas línguas estrangeiras (e não é por acaso). E o outro facto é que o nosso ensino nos está afastar disso. Dir-me-ão que no 3º ciclo os alunos estudam Francês e Inglês, ou Alemão e Inglês, ou Espanhol e Inglês e eu respondo que a aprendizagem de uma língua não se pode dar por concluída em apenas três anos. É muito positivo que se aproveitem as capacidades de aprendizagem das crianças introduzindo o Inglês logo no primeiro ciclo, mas depois a segunda língua surge só no início do 3º ciclo e termina três anos depois, dando aos alunos muito poucas possibilidades de a desenvolver ou de iniciar uma terceira língua. Acho mal. A aprendizagem de línguas põe-nos em contacto não só com sistemas diferentes de representar a realidade, mas também com realidades diferentes. Facto esse que só pode contribuir para alargar os nossos horizontes e ajudar a compreender-nos melhor enquanto povo e enquanto pessoas. Dando um exemplo extremo para mim neve é uma coisa húmida, branca e gelada; para um esquimó neve não é nada, porque existem diversos tipos e estados de neve que devem ter os seus nomes adequados. Sem o incentivo ao estudo das línguas e a diversificação da oferta, tornamo-nos mais fechados, mais isolados, mais tristes. E não me venham dizer que o Inglês tapa todos esses buracos. Concordo que o Inglês é bom como língua franca, mas é necessário desenvolver o gosto pelas outras comunidades que compõem o mundo. Penso que esse seria um bom contributo para acabar com a xenofobia, fenómeno arrepiante que alastra alegremente.

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