sábado, 5 de maio de 2007
A coragem de remar contra a maré
Este texto serve apenas para dar um incentivo às pessoas que gostam de coisas pouco comuns (como eu). Só nós, gente estranha, é que sabemos como é difícil encontrar uma garrafa de água natural em pleno Verão, uma cerveja natural, um bacalhau que não esteja salgado, uma saia comprida quando só se usam saias curtas. Só nós é que sabemos como é complexo andar de casaco e lenço ao pescoço em pleno Maio, quando todos dizem: "já estamos em Maio!" Unam-se pessoas de gostos estranhos. Formemos uma associação em que possamos dar largas às nossas bizarrias e ser felizes bebendo água quente e coca-cola sem gás e falando línguas estranhas como o alemão. É que não imaginam a cara das pessoas quando durante o mês de Agosto pedimos uma água natural. E depois, fazendo ouvidos de mercador, essas mesmas pessoas trazem-nos uma garrafa de água gelada e nós temos de voltar a dizer: "A água era natural!" Quase com medo de ser envergonhadas em público porque a água gelada não nos satisfaz, não nos tira a sede e não nos faz bem. E quem diz água diz sumos... O meu tio Manuel, por exemplo, bebe sempre vinho tinto gelado. E quem é que lhe pode levar a mal?
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2 comentários:
E o que dizer quando se pede uma água fresca e somos presenteados com granizado de água? Eu cá sou uma rapariga de água fresca todo o ano, mas isso não significa que goste de gelado de água ou água de mastigar... E a cena é sempre a mesma: "desculpe, mas a água está muito gelada" - "oh, menina!!! Não tinha pedido água fresca?!" Apetece dizer "fresca sim, mas não para doer os dentes e os ouvidos, fazer chorar os olhos e pingar o nariz". E a única alternativa é guardar a garrafita na mala e esperar duas horas até que esta esteja apenas fresca para poder ser bebida...
A propósito de remar contra a maré, tenho um hábito que também parece deixar as pessoas algo perplexas: bebo o café sem açúcar, mas não dispenso a colher para o mexer. Invariavelmente me perguntam "Para que é que queres a colher se não pões açúcar?", ao que invariavelmente respondo "É para arrefecer mais depressa". Este diálogo faz-me sempre lembrar o Capuchinho Vermelho a perguntar à sua suposta avozinha o porquê das orelhas e dos olhos tão grandes. Sempre achei que a melhor resposta para este tipo de perguntas é mesmo o tradicional e infantil "PORQUE SIM! O QUE É QUE TENS A VER COM ISSO?"
E lá vou eu dar ao mesmo: somos todos diferentes e ainda bem porque, caso contrário, isto era tudo uma grande chatice.
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