terça-feira, 20 de março de 2007

Donas de casa

Caras donas de casa dedicadas que lêem este blog: o cilit bang está out, fora de moda, demodé. Fiquei a saber isto pela minha mãe no domingo. Agora usa-se Asevi à venda no carrefour e às vezes no jumbo. Isto fez-me pensar que seria bom haver um top ten de detergentes e rubricas de in e out de artigos de limpeza nas revistas femininas. Se eu sei quais os óculos de sol que devo usar, ou qual o corte de calças que dita a moda este Verão pelas revistas, também devia saber os detergentes que estão mais na berra para limpar a minha casa e a minha roupa. O mundo dos detergentes faz me lembrar as culturas underground, às quais só temos acesso se pertencermos a grupos muito restritos como os góticos e os donos de cães de luta e coisas desse género. Porque o sonasol é muito diferente do detergente de marca branca do continente e há uma pleíade de detergentes para limpar a casa de banho, com lixívia, com cheiro a limão, com força destruidora e coisas igualmente poderosas... Encaremos limpar a casa não é vergonha! Ser asseado não é desonra e sermos nós a tomar as rédeas dessa área da nossa vida é até meritório. Ou mesmo que não sejamos nós, temos de saber dar indicações à mulher a dias. Não é nobre preocuparmo-nos com isto?

2 comentários:

Anónimo disse...

Factos:

1. Não há detergente para a roupa como o clássico Skip máquina. O cheiro a sabão natural e aloe vera já é só para nos distrair do essencial. A verdade é que só este é recomendado por "77 marcas de máquinas".

2. O detergente para a louça Fairy (em qualquer das versões) é efectivamente o melhor, embora seja exagerado pensar que apenas uma gota lava a louça utilizada num casamento com 200 convidados. Nesse caso, cada frasco duraria cerca de oito anos.

3. Jamais se deve misturar Sonasol Verde com lixívia ou qualquer outro detergente, a não ser que estejamos a encenar uma peça que retrate as câmaras de gás de Auschwitz e queiramos ser mesmo realistas!

4. Certos detergentes do Lidl conseguem ser bastante razoáveis e ajudam a poupar algum dinheiro. Os que merecem uma oportunidade são os da marca W5.

5. Já experimentei quase todos os amaciadores de roupa do mercado e finalmente acho que encontrei aquele que me enche as medidas - Comfort Sun Fresh. Tem um cheiro tão delicioso, fresco e campestre que faz lembrar o genérico de Uma Casa na Pradaria.

6. O Asevi ainda não conheço e quero experimentar. Entretanto, demodé ou não "Cilit Bang rules!"

Anónimo disse...

Antes que este sítio se torne num fórum de Lavores&Sabores, peço-te, Malmequer, liberdade para ocupar este espaço com um comentário que, apesar de desenquadrado com a temática recente (também quero, a esse propósito, uma máquina de fazer pão!), talvez recolha alguma solidariedade destas donas de casa.
Como acontece com muitas das coisas que me fazem desesperar de impotência e descarregar a raiva no teclado ou nos ouvidos de alguém, o tema deste comentário não tem origem nos artigos de opinião da imprensa, no noticiário da TVI nem tão pouco na consulta esporádica na blogosfera saloia. A minha fonte de inspiração mais genuína senta-se à mesa de jantar, no lugar do meu pai (pessoa que adoro, aliás). Quando julgo que já ouvi tudo, que o dia já não me reserva nenhuma surpresa, lá vem ele discorrer sobre uma qualquer idiotice que ouviu noticiar à hora de almoço ou na véspera. “Realmente o fulano X ou sicrano Y até têm razão…” costuma ser a introdução do disparate.
O de hoje, como já tinha sido o de há alguns dias, foi quanto o novo programa da TVI tem ajudado a revelar a fraca qualidade do ensino em Portugal, facto que até um dos membros do júri do dito programa (a Clara Pinto Correia, se não estou em erro) tinha sublinhado!
Eu ainda não vi o programa nem tenho vontade de ver, mas começo por reconhecer esse facto para desencorajar desde já todos aqueles que queiram esgrimir o célebre argumento do “se não viste, não podes criticar”, como se a crítica, que assenta em juízos de valor, éticos, morais ou outros, tenha que ser fundamentada na experiência pessoal. Não vi, não sei se alguma vez vou ver, mas de uma forma ou de outra sinto-me perfeitamente capaz de, pela descrição que me tem sido feita do programa, produzir uma opinião. Como tenho andado alheado da consulta aos meios de comunicação habituais, isento todos aqueles que têm acompanhado mais de perto a polémica (se é que os restantes estão interessados) de ler o que se segue, porque certamente não encontrarão argumento que não tenha já sido apresentado por algum líder de opinião. Não faço ideia do que se tem dito nesses círculos, mas ainda assim vou-me esforçar por bater no ceguinho com originalidade.
É mais que obvia a paupérrima qualidade do ensino neste país. Não pretendo agora discorrer sobre quem, na minha opinião, mais culpas terá no cartório, até porque não sou a pessoa mais habilitada para o fazer (atenção! não confundir esta assumpção com o argumento que atrás se desvalorizou), mas esta evidência está identificada, documentada até à exaustão e, de forma ainda mais evidente, espelhada numa grande maioria da população portuguesa, em especial na mais jovem. E digo em especial na mais jovem porque a que está no extremo geracional oposto nem educação escolar teve. Mas também é mais que óbvio que não é um programa daqueles, com “belas” ignorantes e "mestres" com QI’s inversamente proporcionais aos seus dotes de Apolo, que melhor retrata essa triste realidade. Ou talvez seja, mas por outra razão que não a que foi apontada. Já lá vamos.
Antes, vamos ao essencial. O programa, ou melhor dizendo, o conceito que tem subjacente (e reparem na forma subtil como me esquivo ao argumento do “não vês, não podes dizer mal”!) é mau. É muito, muito mau, do pior, se não o pior que se tem feito por cá (ou em qualquer parte, que o formato deve ser importado com certeza). Quando julgamos que já nada nos pode surpreender, zás, toma lá com “A bela e o mestre”!
Desde logo, é mau porque é um insulto a todas as mulheres, belas ou não, e ter estreado poucos dias depois do Dia Internacional da Mulher (DIM) – de que não sou partidário, diga-se – é uma irónica e triste coincidência. Como é que a esmagadora maioria das mulheres não se sente humilhada por ver na televisão, em horário nobre, tamanha cobertura ao estereótipo de que uma mulher bonita só pode ser burra (lógica que, quando levada ao extremo pelas alminhas mais beatas, desagua na confortável conclusão de que todas as mulheres que, em complemento à beleza com que foram abençoadas, atinjam o sucesso profissional, o devem a uma ascensão feita na horizontal), é uma coisa que me ultrapassa. Será que o escárnio com que julgam inacreditável a ignorância daquelas “beldades” lhes tolda por completo a visão de que aquele é o caminho mais longo para o desígnio que o DIM pretende celebrar? Assim, nem com quotas lá vamos!
E aos homens, não deverá preocupar o preconceito de que ser inteligente, bom aluno e, heresia das heresias, gostar de matemática, é sinónimo de castidade involuntária até aos 30 anos e rótulo de totó por igual período?
E a quem pretensamente se preocupa com a qualidade da educação dos nossos jovens e com a cultura geral e particular com que saem do sistema de ensino, não lhes pesa na consciência alimentar as audiências de programas deste género? Ou, pior, participar, directa ou indirectamente, nele? Parece que não.
Isto traz-nos à razão pela qual, afinal, o programa será um óptimo indicador do nível de educação dos nossos jovens adultos e do nível de cultura e instrução da população em geral. Num país onde as pessoas não se parecessem tanto com os que participam naquele programa e onde um casting para uma novela juvenil não tivesse quase tantos pretendentes ao lugar quantos concorrentes anuais ao ensino superior, um tal programa não seria um sucesso de audiências nem uma Ministra da Cultura confessaria (expressão utilizada pelo CM) que iria ver o programa para confirmar essa realidade.