Acabei há pouco de ler o artigo da Visão sobre aquilo que se propõe que seja o novo funcionário público e...
Não. Desenganem-se! Não vou desancar no Sócrates nem no Governo. Vou simplesmente dizer: acho bem. As carreiras vão passar a ser mais competitivas, logo as pessoas vão ter de se esforçar mais. Não vejo nenhum problema nisso, já que todos nos queixamos que os funcionários públicos são indivíduos cinzentos que sabem que não precisam de fazer esforço nenhum para manterem o trabalho que têm. A progressão deixa de ser automática. Sim. E desde quando é que o facto de se trabalhar há 30 anos no mesmo posto (sem qualquer curso de reciclagem) é sinal de se fazer o trabalho melhor? Os funcionários têm que ter um nível de escolaridade mais elevado. Sim. Qual é o mal de querer melhorar o nível de escolaridade dos portugueses? Vai haver quadro de supranumerários (termo que segundo a Visão não aparece em lado nenhum na legislação). Pois se há pessoas a mais... As pessoas vão ter de saber línguas estrangeiras. Qual é o mal? Não vivemos na União Europeia onde se falam muitas línguas diferentes?
Só me choca que o funcinário público tenha de ter menos de 40 anos, pois se querem que trabalhemos até aos 65 anos (na Alemanha já passou a ser até aos 67, por isso previnam-se) o que vão as pessoas fazer nos restantes 25 anos de carreira?
Se isto tem um lado perverso? Pois claro que tem. Reside ele em dois pontos fundamentais: que se fazem às regalias já adquiridas dos actuais funcionários públicos? E temos todos de contar com o espírito essencialmente trapaceiro do português. E quando falo disto lembro-me sempre da frase da Maria Filomena Mónica: "Eu vivo em Portugal, como se Portugal fosse um país civilizado." Desculpem lá, mas é mesmo por não sermos um país de gente civilizada que às vezes as medidas boas em teoria, na prática são uma tragédia. Como a questão da nova avaliação dos professores que em teoria é muito correcta, mas que vai ser completamente adulterada pelo espírito pouco sério das pessoas.
Desculpem lá, mas é isto que eu acho. As coisas como estavam é que não podiam ficar.
1 comentário:
É estranho como isso do funcionarismo publico irrita até o mais santo e cumpridor dos portugueses, mas, como estamos em Portugal podia ser pior.LOL
A dita trapaça dos portugueses ou como eu lhe chamo a nossa capacidade de "deserasque" é uma das coisas que me faz sentir orgulho de ser potuguês, tudo esta mal a economia um caos cada vez ganhamos menos mas... o tuga desenrasca-se.
Nem tudo é mau em Portugal o unico mal e que está cheio de portugueses, chico espertos por natureza, os ultimos "bon vivants" da Europa
Fire_Knight
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