sexta-feira, 5 de julho de 2019

Pão bolorento

Médicos, farmacêuticos, autarcas, diretores de colégios, futebolistas, empresários...  Se eu atrasar este post mais uns dias, vou poder, com certeza, acrescentar a lista de profissões.
O que é que se passa aqui?
Vejo este desfile de detenções e este ping pong de acusações e não posso deixar de pensar que alguma coisa cheira a esturro. O que é que se passa aqui?
Que ninguém escapa à teia da corrupção, penso que não surpreende ninguém. Todos sabemos que em pequena ou grande escala, há um corrupto dentro de cada um de nós. Se se puder contornar, porquê ir a direito? A motivação não é certamente política, nem depende do partido a que se jurou lealdade, ou ao qual se tem lealdade natural.
Muitos dirão que, em Portugal, a corrupção nasce da necessidade. As pessoas têm tão pouco que a necessidade de ter algum alívio as faz ceder à tentação. De uma coisa tenho a certeza. As pessoas têm pouco… poucos escrúpulos. Ou têm escrúpulos de borracha. Dobram-se à mais pequena pressão. E quando digo as pessoas, digo nós todos. Este é um fenómeno nacional. Antes de dizer "eu não", ponha bem a mão na consciência e veja se pagou sempre o parquímetro, se nunca estacionou em cima do passeio ou a tapar a saída de uma garagem, se pagou todos os impostos que tinha de pagar…
Dir-me-ão que são coisas diferentes. Mas nascem todas do mesmo sentimento de impunidade e da mesma sensação de que o mundo gira mesmo á volta do meu umbigo.

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