segunda-feira, 29 de julho de 2019

A bela angevina, José Augusto França

Eis que Eça nos chega na sua dimensão mundana, com preocupações financeiras e solidão. Eis que a criação queirosiana nos chega como um processo de estudo, de negociação e de luta. De alguma maneira romanceada e romântica, parece-nos que um romancista escreve de rajada a sua obra, sem estudo, sem reflexão, sem dúvidas. A bela Angevina contraria essa ideia. Ao início, senti que a minha noção de Eça estava a ser desconstruída, mas depois compreendi que estava a ser enriquecida. E agora parece-me óbvio que um romance como Os Maias tenha oferecido bastante resistência na sua conceção.
E depois Eça também ama e tem comportamentos adolescentes em relação ao amor. Mas ama como um homem.
A construção das personagens, a introdução de excertos reais dos seus textos, a descrição da vida mundana no final do século XIX foram-me muito agradáveis. A bela angevina uma mulher elegante, adequada, mas também arrebatada, ousada e prática.
Não apreciei tanto os excertos em francês, porque me senti um pouco perdida. Não conheço bem essa língua e dificultou-me a compreensão da mensagem.

Sem comentários: