quinta-feira, 28 de junho de 2007

O que o ministro disse

Notícia da abertura das 8 na TSF (hoje): O ministro não sabia que os medicamentos estavam fora de prazo quando disse que eles poderiam ser entregues aos pobres.
É impressão minha ou isto está rapidamente a tornar-se numa conversa de soalheiro?
- Oh vizinha, nem sabe o que disse hoje o ministro!
- Diga lá, vizinha, diga lá - responde a mulherzinha de bata de nylon com gigantesca nódoa de lixívia, com o seu chinelo ortopédico já a pôr o fio de lã para o tricot à volta do pescoço.
- Então não disse que se podiam dar medicamentos fora de prazo aos pobres!
- Ai o bandido! Eu vi logo. Com a vida que eles levam. É um entra e sai lá de casa. Devem a toda a gente. A dona Maria que mora mesmo por cima diz que discutem toda a noite. E as pobres das crianças. Há dias veio-me a mais nova, que é muito amiga da minha Iara Sofia, pedir um bocado de pão que ainda não tinha comido nada. Que isto não é falar mal, é só a gente a conversar. Que eu... sou uma mulher muito honesta, muito amiga do meu amigo, não quero o mal de ninguém! Mas há certas coisas que a gente vê que me revoltam cá por dentro. Então e não se lembra daquele senhor que se dá muito com esse, um tal de Mário, quando andou para aí a dizer... Ah e tal... a margem sul é um deserto.
- Então não me lembro! Nessa noite nem dormi nada só a pensar no que aquela mulher dele deve sofrer. Pois que é um homem que não se pode acreditar em nada do que ele diz.

Pronto. É um facto. Diverti-me a escrever este diálogo. Mas só queria mesmo dizer que às vezes os jornalistas se preocupam demais com o acessório e de menos com o essencial.

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