Hoje preocupam-me os grandes dramas da humanidade: a mendicidade, as doenças incuráveis como a Sida, os homens e mulheres-bomba, os carros armadilhados no Iraque, a escravatura branca e o facto de em Portugal haver um Ministério da Educação e suas dependências que... bem...
Não! Não vos vou falar do novo estatuto da carreira docente que até a mim já me dá vómitos de ouvir falar mal. Vou falar simplesmente deste hábito infantil de mudar as regras a meio do jogo.
ONDE ESTÃO OS HORÁRIOS A CONCURSO PARA SUBSTITUIÇÕES? É que até à semana passada, iamos ao site da Drel e lá estava tudo organizadinho, com as moradas e números de telefone das escolas, todas as vagas que saiam em todos os jornais e agora isso foi substituido pelo despacho não-sei-quantos. Pronto! Lá acharam eles que estavam a dar muitas mordomias às pessoas que ainda gostavam, se as deixassem, de sonhar com uma carreira docente. Eu ouvi falar por alto nas notícias que o sistema de contratação directa ia mudar, mas como ainda acredito no Pai Natal pensei que fosse só para o ano, esqueci-me foi do Gabinete-Como-É-que-Nós-Vamos-Lixar-A-Vida-Aos-Professores que há por lá nas catacumbas do Ministério. Agora como é que eu sei que escolas é que precisam de professores? Compro todos os jornais diários? Estão a brincar comigo? Ah! Mas nem toda a gente tem internet. Pois não! Por isso é que havia duas fontes diferentes de informação.
Enfim... Sabem, com certeza, que há países da nossa estimada UE onde a mendicidade se não é proibida é pelo menos desaconselhada. Aqui é mais fácil e lucrativo ser mendigo que professor. E também levamos na cara.
2 comentários:
Entretanto já vi vantagens no novo sistema, o que não diminui a minha irritação por mudarem as regras a meio do jogo. Imaginem lá que está a decorrer um Sporting-Benfica e vem, de repente, o árbitro a dizer: olha, agora as equipas só têm 9 jogadores, têm de sair 4.
Foi um tema bem escolhido Malmequer! Se bem que já estamos só a chover no molhado. A forma como a Srª Ministra da Educação vem a lidar com os Professores é, no mínimo, desrespeitosa. Desde sempre encarei o ensino com muita seriedade e apostei tudo numa carreira que agora vejo reduzida à precaridade, incerteza e angústia permanentes. É certo que me encontro numa posição privilegiada em relação a uma grande parte dos meus colegas, mas aflige-me assistir à degradação desta nobre profissão, pilar essencial na sociedade. Infelizmente não chegámos ainda ao fundo do poço porque tempos mais difíceis estão para vir. Em breve instalar-se-á a política do compadrio nas escolas e, nessa altura, rezemos para que gostem de nós. Não do nosso trabalho, porque isso passará para segundo plano e nem é difícil fngir que somos bons, basta que os nossos alunos tenham sucesso (e isso é coisa que não se prende com a aquisição de conhecimentos e competências para enfrentar a vida, porque as notas na pauta nem precisam de reflectir nada disso).
No início do corrente ano lectivo assisti, espantada, a duas Professoras da minha área disciplinar a degladiarem-se por um lugar de Coordenação do Deapartamento. Reflectindo sobre o assunto, nem posso condenar esta atitude, elas estavam simplesmente a jogar segundo as novas regras do jogo. E as regras são claras: é preciso marcar pontos, literalmente. Quantos mais pontos um Professor arrecadar, mais depressa poderá ascender ao tão almejado estatuto de Professor Titular. Eu cá ficarei no meu lugar de Professora normal a aguardar mais anos de serviço para poder entrar também no jogo. Só espero que, quando chegar a minha vez, os pontos do cartão Galp também contem, porque desses já tenho perto de 1500.
No entanto, apesar do descontentamento e da revolta, espero que aqueles que são Professores porque sempre o quiseram ser e o fazem com dedicação e dão tudo pelos seus alunos, o continuem a fazer com o mesmo entusiasmo e nobreza (embora isto não valha nada ... em pontos)!
Enviar um comentário